segunda-feira, 14 de setembro de 2009

10 a 14/09 - "In the desert, you can´t remember your name, cause there ain`t no one for to give you no pain..."














Começo esse post avisando que as imagens mais bonitas ficaram na camera e não no celular. Mas mesmo assim resolvemos fazer uma seleção das imagens tiradas com o celular nesses quatro dias para mostrar um poquito o que é o deserto e como ficaram os nossos pés depois de quatro dias pisando areias, pedras, barro e sais que só aqui vimos. Mais detalhes de fotos serão acrescentadas no final da viagem, quando descarregarmos a camera. Também os caminhos e passeios que fizemos também estão descritos (alguns deles) no site www.sanpedrodeatacama.cl
O deserto já nos fascinou logo na chegada em Calama, onde saindo do Lan Chile, vimos uma cadeia montanhosa, uma paisagem extremamente árida e rica em cores ao entardecer. Nada se parece com isso, estamos simplesmente no lugar mais seco do mundo, com médias anuais de 25mm de precipitação. Um dia de garoa em SP faz mais do que isso! Na estrada para San Pedro de Atacama vemos uma paisagem se agigantar aos nossos olhos, enquanto somem os vestígios de civilização: as cordilheiras de Sal e Domeyko fazem contornos muy belos em todo o trajeto. O vulcão Licancabur (na foto acima com um cone perfeito) é o pai de todos os atacamenhos. Do outro lado temos os Andes emoldurando a região. A chegada em San Pedro foi engraçada: saltamos no hostel Lickana, onde o simpático e tranquilo Hernan nos mostrou nossos quartos, sem se preocupar em cobrar estadia. Quando puderen nos pagan! Perguntamos se havia um restaurante aberto e com mais simpatia nos respondeu o que sempre dizem os chilenos: Claro! E como! A cidade é povoada de hosteles, restaurants e lojas de souvenir (imagina a alegria da Sara). São várias casinhas de adobe (barro + palha+água), todas bem espalhadas. Nossos cafés eram trazidos a porta do quarto em mesinhas onde nos sentávamos para lagartear um pouco. O povo tem muitos traços indígenas e vive principalmente do turismo, das minas de cobre e de atividades rurais, como um pastoreio que presenciamos em pleno meio-dia pelas ruas da cidade, com direito a cabras, bodes, ovelhas e cachorros pastores. Adoramos a cidade. A comida melhorou muito em relação a Santiago, fruto da mistura de povos que passeiam pela cidade. São franceses, espanhóis, alemães, chilenos, brasileiros e povos de lugares mais reconditos, todos se esbarrando pela Calle Caracoles, o coração turístico da cidade. Nem preciso comentar que entramos em todas lojinhas, claro, com a Sá com olhos brilhando e um sorriso de orelha a orelha.
Todas as comunidades foram criadas em reverencia ao vulcão Licancabur (o pai) e o Quimal (a mãe). Todos os rituais são feitos apontando para um dos dois, o que fez com que os espanhóis construissem todas as igrejas em direções opostas. Mas o povo sempre dá o seu jeitinho de manter as tradições. Um exemplo é acomodar as datas católicas com as datas atacamenhas.
Os passeios foram: Laguna Cejar (e os incríveis ojos del salar), onde tentamos tomar banho em um lago de al incrível, tão salgado quanto o mar morto e onde vimos os primeiros flamingos chilenos.
- Lagunas Miscanti e Miñiques, ao lado de seus vulcões, onde vimos mais flamingos, vicuñas e tagua cornuda (parecido com um pato negro) e passeamos pelo incrível Salae de Atacama, o terceiro maior do mundo em extensão e dono de uma profundidade de 1500m.
- Valle de Jere e as pedras vulcanicas, o ritual de lavagem dos canais, que fazem dessa região um oasis no deserto, cheio de árvores frutíferas.
- Geysers del Tatio: uma impressionante formação de geysers que jorram mais forte quanto mais frio no exterior. Para apreciarmos com todo o seu explendor chegamos junto com o nascer do sol, em um local que por combinar deserto + 4500m acima do nivel do mar estava apenas a -14 graus C. Vimos tudo, tomamos desayuno e alguns malucos tomaram banho em agua termal (foto acima). Passamos pelo Vale da Putana, em Machuca (onde comemos um churrasquinho de llama delicioso) e com o calor de 0 grau C voltamos pra San Pedro.
É uma experiencia maravilhosa.
- Valle da Muerte e Valle da Luna: nosso último passeio foi uma aula de geologia (completando os passeios anteriores): afloramentos, dobras, estratificações, intemperismos, choque das placas Nazcar e Sul americana. A Sá me explicando tudo e eu me sentindo um projeto de geólogo... Terminamos o dia com um por do sol atacamenho do alto das dunas.
Esse é o resumo de uma estada deliciosa no deserto. Enfrentamos muito bem o frio e calor extremos, combinados com umidades abaixo dos 20%. Agora esperamos aqui no aeroporto de Calama o regresso a Santiago e amanhã a viagem até Valdívia.

6 comentários:

  1. Prepare-se para o choque de paisagens!! Do deserto ao bosque verde e chuvoso de Valdivia, onde a umidade é sempre muita! Vejo as fotos com a maior alegria, quero muito saber de tudo para fazer os mesmos passeios, quem sabe ano que vem nao vou pra lá?? Se o doutorado permitir... Do Norte ao Sul do Chile, verao a diversidade de paisagens desse país! Um grande beijo y sigan disfrutando mucho del viaje!

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  2. Ah sim! Agora o blog està totalmente atualizado.
    Mandem seus comentàrios!!

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  3. Lucas e Sara, que bom receber mais notícias. Que bom saber que estão enchendo os olhos e os corações com essa merecida fuga para paisagem tão linda e tão distante da correria de sampa e campinas! e já estamos salivando pois em outubro-novembro, estaremos também nos deliciando por aí...
    Queridos, aproveitem mesmo...
    Um beijão para vocês

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  4. Sara
    Na segunda foto vc está mais para Indiana Jones... legal viu!
    Beijão

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  5. Que experiência incrível hemmm.....o Jorge iria adorar fazer essa viagem....Paisagens muito bonitas..iria adorar...não sou geóloga , mas adoro geologia... e ver essas formações geológicas e ainda tendo uma prof para explicar não tem preço..rsrs :)...Parabéns Lucas :)
    Bjus para os dois....

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  6. Prá vcs:

    FÉRIAS

    AQUI, QUIETO EM MEU CANTO
    SEM MEXER-ME, OLHANDO A LUZ HIGIÊNICA DO SOL,
    PENSO NA INUTILIDADE CANSATIVA DE MALAS E HOTÉIS
    PARA DIVERTIR-ME NAS FÉRIAS ESTRANGEIRAS
    NÃO, SÓ PRECISO DA VONTADE,
    NEM SEMPRE FIRME,
    UM VENTO ESTRADEIRO,
    UM ALARDE DISTANTE DE PÁSSAROS
    E NADA ALÉM DO MEU CORPO.

    (RONALDO COSTA FERNANDES)

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