







Depois de chegar bem tarde no dia 14 aqui em Santiago e descobrir que o hotel que tìnhamos tentado fazer reserva nao tinha nosso nome na lista de reservas, ainda tivemos que buscar um hotel vizinho aqui no belo bairro Providencia.
Ainda de noite, escolhemos fazer um tour por uma agencia até as vinícolas da Aquitania e Concha y Toro.
Hoje (dia 15) acordamos mais tarde, tomamos um café da manha com frutas (coisa que nao tinhamos visto ainda aqui no Chile) e saimos para nos refestelar numa homenagem ao simpático deus Baco... nosso ponto de destino foi o Vale do Maipo, uma regiao encostada em Santiago e cercada pelas cordilheiras ao leste e pelo rio Maipo, ao oeste, havendo inclusive diferenças entre o sabor da uva cultivada mais proxima das cordilheiras ou do rio.
No onibus ficamos sabendo que o vinho mais típico chileno é o Carmenère, uma uva trazida da França, mas que restou praticamente apenas no Chile em todo o mundo. O Carmenère tem um gosto um pouco mais suave do que o Cabernet, o que tem feito com que algumas vinícolas façam blends entre estes dois vinhos. Mais tarde, ao provarmos este blend, conferimos que é uma excelente opçao para tirar um pouco do gosto adstringente do Cabernet.
Nossa primeira escala foi na pequena vinícola Aquitania, onde vimos uma linha toda artesanal e feita a mao para produzir e engarrafar os vinhos, mas para nossa surpresa, nada é feito com os pés... infelizmente. Eles tem apenas 70 hectares de terra cultivada, cujo produto principal é o Cabernet Sauvignon. Também produzem o Chadornay, um vinho branco muito frutado e ótimo para acompanhar peixes, como salmao e outros peixes assados. O atendimento na vinícola foi fantástico, nossa guia Blanca (literalmente) nos levou para conhecer as vinhas, os toneis de aço inox onde a uva é filtrada (a uva para vinho tinto nao pode ser prensado, caso contrário o gosto amargo da semente é transferido para o vinho) e depois armazenada em barris de carvalho (no caso, franceses) por entre 12 e 18 meses. O barril de carvalho, além de produzir a maceraçao alcoolica, também confere ao vinho um sabor amadeirado caracteristico (o sabor frutado é conferido pela própria uva, seu lugar de plantio, etc). Quanto mais tempo vinho fica armazenado nos toneis de carvalho, mais se encorpa, sua cor fica mais próxima do marrom-terra e seu gosto fica com nuances de fumo e carvalho.
No caso do vinho branco, após a prensagem da uva, a mesma já é colocada direto nos barris de carvalho por um ano, havendo todo um controle de acidez por meio de lactobacilos e o vinho é mexido duas vezes por semana (tudo manualmente) para ficar bem homogeneo. O lugar é muito charmoso.
Pra finalizar, vimos o engarrafamento (todo manual) e tiramos uma foto das variedades de vinho produzidas nesta vinícola. O Chadorney "Sol a Sol" é o mais conhecido, sendo o Brasil o seu lugar mais consumido.
Na hora da degustaçao, iniciamos com um rosê incrivelmente frutado, mas nao doce (caracteristica da uva utilizada, o Cabernet Sauvignon), passamos por um Cabernet bem encorpado e terminamos com um blend de Cabernet com 15% de Carmenère, com uma característica bem diferente, bem mais suave e amadeirado.
Nosso almoço em Pirque foi regado a música chilena, com direito a uma demonstaçao de Cueca, a dança típica local. Finalmente boas comidas, como as empanadas de Pino (carne, queijo e cebola) e um Filet de Chorizo delicioso. Eu, pra variar, pedi uma sopinha (pensando em um delicioso minestrone) e recebi um caldo quente com um frango inteiro e meia espiga de milho... fazer o que ???
Terminamos o dia na Concha Y Toro, onde tentamos seguir uma guia apressada que nos levou para lugares belíssimos, como a casa do antigo patriarca da famìlia Concha, que tem jardins lindos e uma casa muito estilosa, mas tudo muito rápido, mal tivemos tempo para apreciar.
É a maior vinha do Chile, uma das maiores do mundo, engarrafa 300 milhoes de litros por ano, exporta para mais de 100 países e tem uma estrutura espetacular. O ponto alto da visita é a lenda do Casillero del Diablo (em portugues, o Galpao do Diabo), uma lenda criada pelo dono do local para afugentar alguns trabalhadores que andavam roubando seus vinhos premium do galpao de armazenamento.
No final, a correria que a casa gera, com visitas a cada 5 minutos, uma encavalando na outra, faz com que se perca todo o prazer de se degustar um bom vinho em um lugar extremamente charmoso como aquelas haciendas.
Nosso grupo tinha só brasileiros, todos muito divertidos, esperando para beber todas e que compraram tudo e depois no onibus ficaram discutindo como iam levar tudo aquilo no aviao...
Agora vamos pegar o onibus e continuar nossa jornada pelo sul do Chile. Regiao dos Lagos. Valdívia, Pucón e Osorno que nos aguardem.
Fechamos o dia com a Ode al Vino
ODA AL VINO
VINO color de día,
vino color de noche,
vino con pies de púrpura
o sangre de topacio,
vino,
estrellado hijo
de la tierra,
vino, liso
como una espada de oro,
suave
como un desordenado terciopelo,
vino encaracolado
y suspendido,
amoroso,
marino,
nunca has cabido en una copa,
en un canto, en un hombre,
coral, gregario eres,
y cuando menos, mutuo.
A veces
te nutres de recuerdos
mortales,
en tu ola
vamos de tumba en tumba,
picapedrero de sepulcro helado,
y lloramos
lágrimas transitorias,
pero
tu hermoso
traje de primavera
es diferente,
el corazón sube a las ramas,
el viento mueve el día,
nada queda
dentro de tu alma inmóvil.
El vino
mueve la primavera,
crece como una planta la alegría,
caen muros,
peñascos,
se cierran los abismos,
nace el canto.
Oh tú, jarra de vino, en el desierto
con la sabrosa que amo,
dijo el viejo poeta.
Que el cántaro de vino
al beso del amor sume su beso.
Amor mio, de pronto
tu cadera
es la curva colmada
de la copa,
tu pecho es el racimo,
la luz del alcohol tu cabellera,
las uvas tus pezones,
tu ombligo sello puro
estampado en tu vientre de vasija,
y tu amor la cascada
de vino inextinguible,
la claridad que cae en mis sentidos,
el esplendor terrestre de la vida.
Pero no sólo amor,
beso quemante
o corazón quemado
eres, vino de vida,
sino
amistad de los seres, transparencia,
coro de disciplina,
abundancia de flores.
Amo sobre una mesa,
cuando se habla,
la luz de una botella
de inteligente vino.
Que lo beban,
que recuerden en cada
gota de oro
o copa de topacio
o cuchara de púrpura
que trabajó el otoño
hasta llenar de vino las vasijas
y aprenda el hombre oscuro,
en el ceremonial de su negocio,
a recordar la tierra y sus deberes,
a propagar el cántico del fruto.
Lucas e Sara
ResponderExcluirUAU! Que erudição em vinhos!!! Estou impressionada! E aposto que nao foi aprendido aí né... uma aula em honra ao deus Baco! Fiquei com vontade de experimentar esses vinhos todos! Chile que nos aguarde! Aqui estamos curtindo o CATAPARÁ Cosecha - uma delícia indicada pelo Nilson e a Cildete, nao deixem de experimentar!
Um beijão para vocês! Com saudade!
Bueno, lo poema es mui extenso... pero que es belo.
ResponderExcluirGostei muito, muito de ver as fotos do deserto. ?Pregunto qué tipo de resistencia tengo de tener para esse paseo...
Aguardo fotos de Viña e Valparaiso. A Sara está enfrentando com valentia esse frio!
(à boca pequena: palmeiras e inter perderam domingo).
correção: é Tarapaca o nome do vinho, mas concordo quanto a qualidade.
ResponderExcluirLindas fotos, linda poesia, linda descrição, Gigi precisou botar copinho embaixo da boca pra nao babar no teclado!
ResponderExcluirSaudades, saudades, saudades....
Pelo que vi nos posts, sugiro abdicar de sopa, como faz a Mafalda. No caso ela é na Argentina, não no Chile, mas tá valendo, deve ser falta de habilidade geral p/ esse prato, assim como os americanos forçam as crianças a comerem brócolis cru e depois estranha-se ninguém gostar dessa verdura por lá. Mas deve ter sido no mínimo engraçado.
ResponderExcluira Sá e sua ótima memória lembram do Tarapaca, eu não... Vamos ver agora no Freeshop, pois não cabe mais nem uma agulha nas nossas malas!
ResponderExcluirAdorei toda descricao, impressionante! Aqui já tinha guardado um Carmenere para tomarmos juntos! O Taracaoa é realmente mto bom, sempre levo pra minha mae quando vou pro Brasil... E Lucas, a "sopinha" que voce tomou.. hahahaha, é uma "cazuela de ave", um prato típico chileno, que vem quase com uma ave inteira e uma espiga de milho... rsrsrsrsrs!!! EEEEE que bom que chegaram em Valdivia!!! Beijao!
ResponderExcluir... Taracapá... nao Taracaoa.
ResponderExcluirMariana
ResponderExcluirO nome desse vinho é um desafio mesmo hein...
Lucas, por favor, qual a companhia que vcs viajaram? Foi boa?
Um beijo
Da mã
Fala Luquinha, interessante, gostaria de saber onde vc arrumou tempo para tanto blablabla sobre vinho ;-)
ResponderExcluirQue tal Cueca é esta? Vc também dançou? Depois não sabe porque fica com frio.
Pela foto dá para ver que vc e a Sara estão se agasalhando bem, hahaha...
A tal sopa deve ser uma expiação desta mesma encarnação, afinal, uma pessoa que ofereceu macarrão com pé de galinha para crianças indefesas não pode reclamr de receber uma galinha afogada e uma espiga de milho...
Saudades!
Dan
Essa sopa tá dando sopa que até eu, entrei no assunto. O Danilo tem razão. Isso é pagamento... agora uma coisa dessa faz mal para a saúde da galinha, que a perdeu (a saúde) totalmente e tb para quem a come, se é possível.
ResponderExcluirIsso tá parecendo telefone sem fio... daqui a pouco vão dizer que eu dancei de cueca junto com uma galinha e tomando vinho...
ResponderExcluirMas cá entre nós, é horrível!!
Quanto aos meus pecados passados, o Danilo também é cúmplice! Afinal, quando vimos aquele arroz com um monte de pé de galinha apontando pra cima e uma fila já formada de criancinhas famintas, já era tarde... o máximo que deu pra fazer foi esconder os pés de galinha pra não assustar muito os coitados...
Bom, se precisar da minha imaginação........
ResponderExcluirAproveitando as dicas do blog, jantamos salmão com o vinho recomendado pela Zilda, realmente delicioso
ResponderExcluirAcho que recuperaste o título de poço sem fundo com esta sopa de galinha.
ResponderExcluirVamos todos para o Chile!!!!!!!
ResponderExcluirhahaha! que engraçada essa história da galinha!! Tá pagando os pecados entao... e vai ficar ainda mais perdoado com os DOIS QUILOS de salmao que estao preparando agora.. (Deixamos Lucas ir comprar o salmão.. e ele achou que 2 quilos era suficiente para tres pessoas! Vamos comer salmao a semana inteira!!!)
ResponderExcluirIsso Jorge!!!! Venham todos para o Chile!!!!!!!
ResponderExcluirJá que nao conseguimos comer bem no Chile, vamos apelar... estamos a Sa e eu na cozinha preparando um salmao decente com um vinho Marques de Casa Concha em otima companhia, aqui em Valdivia!
ResponderExcluirAh, e com o Ulisses (o filho da Mari de 15kg, uma boca enorme e 4 patas) alucinado pra irmos brincar!!
Lucas.... Ve-se que voce nao entende muito de quilos!!! Diz que meu cachorro de 30 quilos tem 15 quilos!!! Agora tá entendido porque comprou dois quilos de salmao para tres pessoas!!!! hahahaha!!!!
ResponderExcluirDisso tudo só (sou metido mesmo) não entendi o milho. Por que colocar uma espiga de milho na sopa? É pra engondar a sopa ou engordar a galinha da sopa? Da pena! Falando nisso a penosa estava depenada? O Jorge tem razão, o jeito é irmos todos para o Chile. A gente tá indo no próximo mês, mas não é pela galinha, não. Deus livre a galinhas da gente!
ResponderExcluirfaltou um s no a (artigo da galinha. Corrijo uma injustiça com relação à galinha que agora já tem artigo no plural. E chega de galinha!!!!
ResponderExcluirEssa galinha rendeu demais... e eu achei que daria uma ótima canja... mas venham todos para o Chile!
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